Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
12 de Agosto de 2007. Finalmente estava de partida para o Canadá! Depois de ter ouvido comentários de amigos meus como “Mas o que é que tu vais fazer para o Canadá?!...”, mesmo assim não diminuiu o entusiasmo da hora da partida.
Tinha pela frente três semanas a percorrer o país, do qual sabia pouco: tem cidades grandes na costa leste, tem parques naturais nas montanhas da costa oeste, fala-se francês no Quebec, faz frio, jogam hóquei… e pouco mais. Comprei um guia do Canadá (Eyewitness Travel Guide) e um guia para os parques Banff, Glacier and Jasper (Lonely Planet National Parks Guides). O plano era ler uma boa parte desses guias na viagem de avião para Toronto via Londres.
Cheguei a Toronto a meio da tarde num voo da Air Canada (os aviões são bons, o pessoal é simpático, a comida é boa, ou seja, recomenda-se), depois de quase uma hora à espera das malas, lá fui levantar o carro de aluguer que tinha reservado na AVIS pela net. Dica útil para viagens de carro no Canadá, pedir o GPS!
Toronto é uma cidade tipicamente americana, com um centro de prédios muito altos e os restantes edifícios cada vez mais pequenos a partir daí até chegar às típicas vivendas quase na periferia e avenidas largas que se estendem por quilómetros. A grande diferença tem a ver com quem lá vive. Encontram-se pessoas literalmente de todos os países do mundo. O resultado disso é que todas as gastronomias estão lá representadas, e na mesma rua encontramos restaurantes gregos, italianos, chineses, filipinos, persas, marroquinos, russos, polinésios e mesmo portugueses.

   

Nota-se também muita diferença no que respeita a espaços verdes, com vários parques espalhados pela cidade, muitas árvores nas avenidas e esquilos por toda a parte. É uma cidade segura e limpa e alguns pormenores mostram um nível de civilização que por cá ainda não atingimos…

 

Toronto fica na margem do lago Ontário que faz fronteira com o EUA. Mesmo em frente ao lago está a CN Tower, a construção mais alta do mundo com 553 metros. Vale a pena subir ao topo e ver a vista sobre o lago e sobre a cidade. Fica mesmo em frente à marina, numa área da cidade completamente renovada.

   
   
Voltando para o interior da cidade, é inevitável passar pela Chinatown, afinal praticamente todas as cidades da América do Norte têm uma. Mas mesmo ao lado fica Little Italy e Portugal Village. É impossível resistir a entrar na Caldense Bakery, e comer um pastel de nata acompanhado por uma bela bica.


   

Depois de dois dias em Toronto conduzi cerca de 120 Km em direcção a sul ao longo do lado Ontário até às Cataratas Niagara.
No caminho vale a pena parar em Niagara-on-the-lake. Tem ainda um forte que sobreviveu à guerra entre Canada e EUA e onde recriam a vida nesse mesmo forte.


As Cataratas são enormes e fica-se quase hipnotizado a observar aquela queda de água. As cataratas fazem a fronteira entre o Canadá e os EUA, mas é do lado canadiano que está a parte que nos habituámos a ver nas imagens promocionais. A localidade de Niagara no Canadá parece quase um parque de diversões, com hotéis gigantes, junk food por todo o lado, alguns freak shows e mesmo algumas diversões que habitualmente só vemos em parques. É pena, porque com aquela beleza natural não seriam necessárias tamanhas distracções.
Altamente recomendada é a viagem no barco até à base das cataratas e o inevitável banho da água…


Depois de Niagara voltei para Norte via Toronto, e passei a noite em Barrie. É uma pequena localidade à beira de um lago. Vale a pena dizer que, com a excepção das duas noites iniciais em Toronto, não tinha qualquer marcação ou reserva dormir. Tinha levado uma lista de contactos de pousadas da juventude ao longo do caminho e foi na pousada de Barrie que fiquei nessa noite. É barato e limpo, para uma noite é suficiente.
No dia seguinte fui para o Parque Algonquin. Trata-se de um parque natural com centenas de lagos, para onde habitualmente fogem os residentes em Toronto para um fim-de-semana com a natureza. Basta uma canoa e uma tenda. Como é óbvio não levei a canoa na mala, mas é possível alugar no local. Há ainda a possibilidade de fazer trilhos, com caminhadas curtas (15 a 30 minutos) a algumas que já custam um bocado (2 a 4 horas). Felizmente o tempo estava bastante bom (cerca de 28º) e acabei por experimentar uma praia num lago. A água estava excelente.

 

Saí do parque e fui novamente em direcção ao lago Ontário, onde acabei por dormir em Kingston. Depois de alguns motéis onde já não havia qualquer quarto disponível, acabei por ficar no Days Inn. Nesse momento ainda não sabia que acabaria por revisitar esta cadeia de mini-hotéis várias vezes até ao final da viagem.
Em Kingston fiquei a saber que ali em frente à pequena cidade (que por acaso foi a primeira capital do Canadá) acaba o lago Ontário e começa o Rio São Lourenço. O centro é muito pequeno e à parte do edifício da câmara, o ideal é mesmo fazer um passeio de barco pelas centenas de ilhas no lago/rio. No topo da colina ao lado da cidade fica o Forte Henry, com um vista privilegiada sobre a cidade e sobre o lago, e onde se recria a vida no forte e uma parada militar.
 

De Kingston, dirigi-me para Norte em direcção a Ottawa, a capital federal do Canadá. Fica nas margens do rio Ottawa, e basta apenas atravessar uma ponte sobre esse mesmo rio e ficamos na Província do Quebec, na cidade de Hull (Gatineau para os francófonos). O centro da cidade, mesmo junto ao rio, tem edifícios espectaculares, como é o caso do parlamento.
Para meu grande espanto, cerca de uma hora depois de estar na cidade, assisti a uma parada da polícia britânica… Baralhados?... O Canadá é um país autónomo, e tem um primeiro-ministo e governo próprios, no entanto faz parte da Commonwealth e, como tal, a rainha de Inglaterra é a soberana. Não é de estranhar que seja o rosto da rainha que aparece em todas as notas de dólares canadianos.
Ottawa é também onde termina o Rideau Canal, o qual foi aberto em 1832 para ligar Kingston (o lago Ontário e o Rio São Lourenço) a Ottawa (Rio Ottawa) e tem uma extensão de cerca de 200 Km. Inicialmente foi construído por razões militares, durante a guerra com os EUA, mais tarde foi utilizado para transporte de mercadorias e actualmente é um local classificado pela UNESCO como Património Mundial e destina-se principalmente a turismo.

 
Depois de Ottawa entrei na Província do Quebec em direcção a Montreal… A minha primeira dúvida foi “Será que o GPS passa a falar francês?...”
(continua…)

António Teixeira



publicado por JoanaTorrado às 19:00
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